Leiria tem tudo, até uma modalidade desportiva

A diversidade desportiva existente em Leiria é de todos conhecida. Há campeões de tudo e mais alguma coisa, e um número crescente de pessoas que se dedicam à atividade física enquanto procuram mais e melhor saúde.

Porém, a cidade consegue ir mais além e dá-se ao luxo de ter, até, uma modalidade própria. Não é algo ancestral, até é bem recente. A esta ousadia, Rui Matos, o seu criador, deu o nome de tripela.

Corria o mês de fevereiro de 2008, vai para 14 anos, quando a ideia se instalou de forma persistente na mente deste docente da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria.

“Estava a preparar-me para fazer a defesa da minha tese de doutoramento e a precisar de espairecer um pouco em termos mentais. Como gosto de criar, e tendo sido jogador de futebol e treinador de andebol, pensei: será que podemos misturá-las?”

Claro que podia! Pouco tempo depois, a 14 de novembro de 2008, decorreu então o primeiro jogo da história da tripela, jogado entre as equipas masculinas de andebol da Juve Lis e de futsal do Núcleo Sportinguista de Leiria.

A ideia subjacente ao projeto era precisamente inovar, utilizando numa modalidade desportiva membros superiores e membros inferiores, o que ajuda a explicar as equipas convidadas. “É claro que já há outras que o fazem, como o râguebi, mas não obrigam a usar pés e mãos, sempre, na mesma jogada”. Isso, só na tripela

É precisamente esta a regra básica que torna esta modalidade tão singular. “Agarra-se a bola com os membros superiores e passa-se ou remata-se com os membros inferiores, seja pé, coxa ou joelho”, explica Rui Matos. No fundo, algo que, depois de devidamente divulgado, também permitisse que nas escolas se fugisse um pouco às modalidades coletivas de sempre.

A partir daí, a base das regras são as do andebol: três passos, três segundos de bola na mão e os adversários estão a três metros na marcação de uma falta. De todos estes “três” surge a primeira sílaba do nome dado à modalidade, que até poderia ter-se chamado multibol ou handfootball. O resto, “pela”, tem origem no nome arcaico de bola.

No fim de janeiro, no mini estádio da Fan Zone da Allianz Cup, no jardim Luís de Camões, voltou a jogar-se tripela. A demonstração decorreu com a presença de alunos de curso de Desporto & Bem-Estar e algumas das pessoas com mais experiência de tripela.

Um dos convidados foi José Miguel, um jogador de futebol com passagens por clubes como a União de Leiria, o Desportivo de Fátima e o Marinhense, e que também já jogou futebol de praia pela equipa do Sporting.

“É uma experiência gira e divertida. Tem muita dinâmica e obriga a utilizar os membros superiores e membros inferiores. Para trabalhar o espírito coletivo é importantíssimo, porque na tripela, quem tenta resolver de forma individual, por norma não tem grande sucesso. Até porque a forma de evoluir no campo dando toques com a bola exige qualidade técnica e não é de todo fácil”, sublinha o, também ele, licenciado em Desporto & Bem-Estar pelo Politécnico de Leiria.

A nova modalidade pede agora divulgação, mas falta tempo. O problema é que Rui Matos e o colega Nuno Amaro, ambos docentes do ensino superior, não têm qualquer hipótese de o fazer de forma exclusiva. Ainda assim, têm sido requisitados por clubes de futsal e de andebol da região, sobretudo femininos, para fazerem demonstrações. “Tem sido um sucesso, porque quebra a monotonia e evita a saturação”.

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