Menos 40 quilos na balança e mais 40 motivos para sorrir

Paula Galito, Galito para o pessoal da corrida, tornou-se uma figura central naquele meio, porque vai a todas, literalmente, mas sobretudo pelo exemplo que é.

Nos dois últimos anos infligiu a ela própria uma verdadeira revolução. Pesava 100 kg, comia o que lhe apetecia e apesar de o marido estar ligado ao futsal, desporto, nem vê-lo.

Até que um dia teve uma epifania. Viu um anúncio no Facebook ao Crosse do Lapedo e, do nada, “sem saber o que era”, decidiu participar.

“Não fazia nada, mas o nome da prova disse-me alguma coisa e quis fazer. Meti na cabeça que ia e fui mesmo.”

Obviamente, chegou em último lugar, a roçar o tempo limite para a conclusão da prova. Sem qualquer preparação, fez a maioria dos 12 km a andar.

“Mas ainda evitei que uma rapariga desistisse. Consegui convencê-la a ir comigo até ao fim e acabámos por ficar amigas”, conta esta mãe de quatro.

A partir daquele dia, tudo mudou na vida de Galito. Ganhou-lhe o gosto e começou a treinar diariamente, às vezes mais do que uma vez por dia. “Foi uma mudança radical de um dia para o outro”, admite esta alentejana há muito radicada em Leiria.

Tinha começado a mexer-se, mas de “forma desorganizada”. “Uns dias umas caminhadas, outras umas corridas, era conforma a disposição.”

Até que, poucos dias depois, recebeu uma mensagem de Vítor Santos a convidá-la a integrar o grupo Junta-te a nós, que treinava duas vezes por semana. Foi experimentar e a ligação dura até hoje.

“O importante é diversão, e isso ela tem que chegue. Depois, o desporto vem atrás. Faço o que fizeram comigo, que é tirar as pessoas do sofá. Tenho orgulho em ter dado o meu contributo para pôr a cidade a mexer. Há cinco ou seis anos não se via ninguém. Hoje, o Polis está cheio de gente”, sublinha o “mentor”.

Agora, Paula Galito treina “todos os dias, às vezes duas ou três vezes por dia”, dividida entre ginásio, corrida e caminhada. “Depende daquilo para que me convidem”, diz.

Porque é preciso temperar o exercício, também conta a ajuda de um nutricionista, já perdeu 40 kg. “A corrida não é suficiente, pois corremos o risco de perder massa muscular. Também é preciso complementar com ginásio e comer de forma saudável”, alerta.

O mais importante, assegura, é ajudar as outras pessoas a terem uma atividade qualquer. No fundo, quer ter um papel ativo na mudança de hábitos.

“Se tiver uma amiga que precise de mim para não ficar sentada no sofá, eu vou com ela. Posso até já estar cansada e ter feito o meu treino todo, mas se me ligarem eu não digo que não.”

O mais importante é que as pessoas lutem por elas próprias. “Há quem me pergunte como arranjo tempo, com quatro filhos e o marido a trabalhar no estrangeiro. O que mais quero é fazer a família feliz, mas para isso eu também tenho de estar bem.”

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